Entidade reforça que desenvolvimento econômico não pode ocorrer às custas da exaustão física e mental dos trabalhadores do comércio e dos serviços.
A Federação dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio do Estado de São Paulo (FEAAC) e o SEAAC de Santos lançoram, nesta quinta-feira (26), uma campanha pública pelo fim da escala 6×1, defendendo a revisão do modelo de jornada adotado no setor de comércio e serviços, com foco na saúde, na dignidade e na qualidade de vida dos trabalhadores.
A iniciativa tem como base o manifesto “Pelo fim da escala 6×1: trabalhar não pode significar adoecer”, que propõe recolocar o debate sobre a jornada de trabalho no campo da saúde pública e do desenvolvimento sustentável, afastando leituras exclusivamente econômicas ou ideológicas sobre o tema.
Segundo o presidente da FEAAC, Lourival Figueiredo Melo, o regime de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso tem impactos diretos sobre a saúde física e mental dos trabalhadores. “Esse modelo compromete a recuperação do corpo e da mente, aumenta afastamentos, reduz a produtividade e gera custos que acabam recaindo sobre o sistema de saúde, a Previdência e a própria economia”, afirma.
A Federação também rebate o argumento de que a redução da jornada poderia provocar desemprego ou aumento do custo de vida. Para Lourival Melo, essa leitura cria um falso dilema entre crescimento econômico e proteção social. “A história mostra que direitos trabalhistas como férias remuneradas, descanso semanal e 13º salário também enfrentaram resistência quando foram criados e, longe de prejudicar a economia, ajudaram a estruturá-la. Crescimento sustentável não pode depender da exaustão de quem trabalha”, diz.
O presidente da entidade destacou ainda que o debate sobre o tema no Congresso Nacional precisa considerar as especificidades do setor de comércio e serviços, setores marcados por horários estendidos e funcionamento contínuo, sem normalizar jornadas excessivas. “Manter a economia funcionando exige organização, planejamento e respeito ao descanso, não a naturalização do adoecimento”, ressalta Lourival Melo.
A campanha será desenvolvida nas redes sociais da FEAAC e em ações de diálogo institucional, com foco especial nos trabalhadores de escritório, comércio e serviços administrativos. “Trabalhar é fundamental, mas adoecer para sobreviver não pode ser o preço”, conclui o presidente da FEAAC.
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